segunda-feira, 19 de março de 2007

O ano do consenso - Só agora?

Os alertas existem desde os anos 70, mas até há pouco tempo, falar sobre aquecimento global era coisa de gente chata. Um termo mais específico, ecochata. E por que então, só agora em 2007 começamos a nos preocupar?

Agora é fashion falar de aquecimento global (provou a Fashion Week em São Paulo ao escolher como tema a sustentabilidade e mostrar estilistas jurando plantar árvores). Agora, após 30 anos do primeiro alerta. Finalmente sabemos que o culpado é o homem, que o mundo está ficando perigoso e, somente agora, damos as proporções devidas a esse problema: gravíssimo.

O ano de 2007 entrou para a história ambiental como o ano do consenso. O IPCC divulgou seu relatório sobre o clima, a ONU criou seu painel de meteorologistas e por aí vai...

Alguns dizem que você precisaria ser surdo e cego para insistir que nada havia de errado com recordes de temperatura por 5 anos consecutivos. Eu digo que você só precisaria de um óculos escuros. E isso que fizemos (sim, você também) até então: andamos de óculos escuros. Até que um dia – será que foi depois do furacão Katrina devastar Nova Orleans? Depois que a Europa não viu neve no inverno? Ou ao saber que Bush – sim, Bush – se comprometeu pela primeira vez, a reduzir o consumo de combustíveis fósseis? Então começamos a tirar os óculos, a abrir os olhos, a enxergar.

Constatar que o mundo chegou a um acordo é uma ótima notícia – para resolver um problema é preciso antes admiti-lo. Feito! Só que essa é a parte mais fácil. Quando chega a hora de arregaçar as mangas e fazermos alguma coisa, é outra situação. As emissões de carbono continuam crescendo, ano a ano.

Se as propostas contra o aquecimento existem, suas aplicações exigem sacrifícios. E agora então que devemos agir, fazer. Colocar a mão na massa. Eu sei que você levanta as sobrancelhas ao ler esse texto, mas será que você trocaria o seu carro por um bicicleta em direção ao trabalho?

Vale refletir.

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